DÉBORA DENADAI EM PROSA E VERSO

FAZER POESIA É LAVAR A ALMA FAZENDO SANGRIA...

Textos


FOMES...


      Com tua chegada descobri uma fome que desde sempre desejei que vivesse em mim, que desde os príncipios quis que tomassem conta do  meu corpo desde as entranhas, uma fome que se sacia e quanto mais saciada mais revive, que como uma fênix renasce mais forte quanto mais se extingue. Contigo veio esta fome desconhecida, porém esperada, abrindo flancos em minhas certezas, botando à prova minhas convicções, meus planos. Contigo veio esta fome que fez reviver esta eu que estava guardada, em algum canto esquecida.
      Contigo veio esta fome de mim. E dela gozo e gozo ainda mais saciá-la, porque a simples possibilidade de saciá-la deixa claro que é esta a fome pela qual eu esperei por tanto tempo, faminta daquilo que não acontecia, daquilo que de tão rente ao chão, supunha inalcançável, daquilo que de tão incompleto, parecia a única completude possível. Contigo a fome de mim e de ti mesmo, completando-se uma à outra.
      Tenho, ao fim e ao cabo, uma fome que termina  e que em si mesma  se reinicia, não para me fazer procurar além de tudo, mas para encontrar-me em mim. Que abençoada seja esta fome contraditória e louca, sempre saciada por saciar-se,  que me acalma e liberta, que me exalta e  engrandece.
      Encontro, depois de tanto e tudo, esta fome de mim mesma, desta eu  que pude vir construindo, que tenho sido a fomes outras indevidas mas necessárias, e que descobri comigo quando tu me trouxestes contigo.


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Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 22/07/2011
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