DÉBORA DENADAI EM PROSA E VERSO

FAZER POESIA É LAVAR A ALMA FAZENDO SANGRIA...

Textos


ATÉ QUE UM DIA EXISTAS...

              É simples e banal, mas é a realidade. Uma verdade certa, tola e secreta que é a falta que sinto de ti. É  esse vazio, esse vácuo impreciso e sem definição, sem nome e ilógico. Tu me fazes falta e me fazes levar comigo o fardo desta ausência que nem consigo definir mas que é eterna, como uma condenação perpétua, uma ameaça, um tatear no escuro e no vão do nada, uma mão que não tem uma direção para onde estender-se.

            A falta que sinto de ti me absorve, cava um buraco em mim e vai apagando meu rosto com uma borracha de ausências que não me apagam as formas, mas que me transformam em um pergunta sem resposta, uma equação que não resolvo, um enigma no espelho. E é ao redor disso que  venho me refazendo, reconfigurando. Ao redor disto: da tua falta. Sou esta que sofre a tua ausência sem  sequer saber mais como é a tua presença, as formas do teu corpo, as linhas do teu sorriso, o timbre da tua voz na hora de amar... Já não sei mais que cor tem os teus olhos e quando é que brilham mais.
 
           Tua imagem e tu mesmo são um vir a ser do que já foi, uma incerteza, um todo que se enche de nada. E, de todas as formas, sei disso: me fazes falta, uma falta imensa que toma conta do dia, que abre um flanco na alma e um espaço no tempo, que paralisa o mundo e o emudece, que muda os rumos do vento e o voo das folhas que caem outonais. Tua falta se adona do meu centro e ao redor disso faço de conta que sou outra. Uma que eu crio para fingir que vou vivendo na espera de que existas
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Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 10/06/2010
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