DÉBORA DENADAI EM PROSA E VERSO

FAZER POESIA É LAVAR A ALMA FAZENDO SANGRIA...

Meu Diário
02/08/2005 17h55
SONHAR OU DESEJAR? THAT'S THE QUESTION...
Costumo dizer que não gosto de sonhar. Costumo dizer que não tenho sonhos. Em vez, tenho projetos. Que diferencio dos sonhos pura e simplesmente, pelo fato de que os projetos são sonhos que têm, pelo menos cinqüenta por cento de chances de se tornar um fato, uma realidade. Correta ou não, não é algo que nasceu comigo. É algo que aprendi para proteger-me de mim mesma, do mal que posso fazer ou permitir que me façam. Não sonhar é uma forma de não criar expectativas, caminho curto e certeiro para decepções.
Pode ser uma maneira meio covardezinha de viver, mas serve ao fim que se destina. Não quero construir os castelos no ar sem que possa fazer suas fundações no mundo real, que goste ou não, é onde vivemos. Não quero povoar os castelos que por acaso ou por descuido eu invente com pessoas que não me pediram para estar lá. E tampouco com as que pediram. Nunca se sabe quando podem mudar de idéia e resolverem mudar de casa, aí incluídos os castelos onde um dia pediram para estar.
Posso não sonhar. Posso não construir castelos nas névoas da imaginação. Posso não deixar as expectativas habitarem minhas ansiedades. Isso não significa que estou fugindo da vida. Porque eu posso desejar que as coisas que me fazem bem aconteçam. Posso desejar que as pessoas que eu amo continuem na minha vida. E, para isto sim, eu posso contribuir com alguma coisa. Posso cuidar destas coisas e destas pessoas. Porque eu posso cuidar do que existe de fato. Mas o campo dos sonhos não é coisa pra mim. Talvez para os psicanalistas ou para quem dorme bem.

Publicado por Débora Denadai em 02/08/2005 às 17h55
 
25/07/2005 16h04
VOCÊ PRECISA SE DISTRAIR...
“Se você não se distrai, o amor não chega,
a sua música não toca, o acaso vira espera e sufoca...”
(Christiaan Oyens e Zélia Duncan)


A frase aí de cima é da música “Distração”, do último cd da Zélia Duncan, que, diga-se de passagem, está pra lá de bom. Quando ouvi fui direto parar nas minhas caraminholagens. Tenho este defeito: tudo que leio, vejo, escuto, acabo me perdendo em reflexões depois. E aí me toquei das muitas vezes em que transformamos o acaso em espera.
Criamos expectativas e planejamos como a vida devia ser para que fôssemos felizes. E aí, lógico, a gente não se distrai, atento e focado que está naquilo que tanto deseja, tanto espera. E a espera sufoca. Sufoca porque você não vê nada além do objetivo, você não ouve nada que não tenha a ver com o “teu” assunto. E o sufoco da espera traz a ansiedade junto. E leva embora a alegria.
Ela tem razão. Se você não se distrai, de tão concentrado, pode não enxergar que a vida está acontecendo bem debaixo do seu nariz e a sua revelia. Então, o jeito é jogar peteca, chutar lata na rua e seguir acreditando, como no “Epitáfio” dos Titãs: “ O acaso vai me proteger, enquanto eu andar distraído...”
Boa distração e que a vida venha e você veja
beijos no coração e um grande beliscão...vocês já sabem onde

Publicado por Débora Denadai em 25/07/2005 às 16h04
 
18/07/2005 18h28
SÓ QUANDO A GENTE VAI FICANDO VELHA SABE COMO É BOM TER PAI E MÃE
ONTEM ME BATEU UMA BAITA VONTADE DE COLO DE MÃE, COM A COMIDINHA DA MINHA MÃE E AS BRONCAS QUE EU IA LEVAR POR NÃO COMER DIREITO, FICAR FUMANDO E TUDO O MAIS. E DA CARA DE BRAVO DO MEU PAI, CONCORDANDO COM CADA PALAVRA DA MINHA VELHA. ESCREVI UMA CARTA PARA ELA, QUE ESTÁ AÍ NO SITE E AÍ VAI UMA HISTÓRIA JAPONESA MUITO LINDA QUE ENCONTREI.
BJOS A TODOS E UM BELISCÃO NA BUNDA
D


Viviam numa pequena aldeia, onde reinavam as flores e as belezas, Hideno e sua filha Kimi. Uma vivia para a outra e entre elas não havia segredos, sobretudo, porque ambas pareciam mais irmãs gêmeas de tão iguais que eram. Kimi era a miniatura de Hideno e Hideno, o futuro de Kimi.
Apesar de sozinhas, mãe e filha transcorriam os dias na felicidade e na paz, partilhando a intimidade e a rotina de um lar simples, mas tão harmonioso como o suceder das estações e dos dias.
Tudo andava bem até que, num tristonho dia de inverno, Hideno viu-se acometida por uma estranha doença que parecia não ter causa nem cura. Pressentiu a mãe que aquele mal iria afastá-la de sua amada filha para sempre.
Angustiava-se Hideno mais pela dor que causaria sua morte na filha do que pela própria dor que lhe consumia as estranhas. Assim, pensando no que seria de Kimi, pediu a seu coração que lhe desse sabedoria para poder consolar sua filha.
Assim, numa tarde de vento, chamou Kimi e entregou-lhe uma caixa: não era grande nem pequena, mas da medida certa para a menina segurá-la com segurança.
E, com os olhos doces e dolorosos, recomendou que a abrisse somente depois que ela partisse para o reino distante ao qual todos se encaminham sem reservas e sem saber quando.
E que a abrisse todas as vezes que quisesse conversar com a mãe, para contar-lhe seus segredos, suas alegrias e tristezas, como sempre fizera.
Poucos dias depois, Hideno partiu. Instalou-se a tristeza no coração da pequena Kimi. Mas ela se lembrou de que podia falar com sua mãe e buscou a caixa. Ao abri-la, encontrou o rosto de Hideno que também chorava. E ela se consolou.
Passaram-se os anos e Kimi sempre conversava com sua mãe, todas as vezes que abria a preciosa caixa, encontrando sempre a mesma identidade de sentimentos. Chegou, porém, o dia em que seu avô decidiu que ela já era uma moça e que deveria se casar. Chamou-a com todo carinho e revelou que conhecia um rapaz digno e bom que poderia ser seu marido, que a faria feliz.
Kimi correu para a caixa e contou a novidade para sua mãe. Hideno, assim como a filha, sorria de felicidade. E foi naquele momento que Kimi percebeu que sua mãe não estava na caixa, mas que no fundo desta só havia um espelho. Com emoção, percebeu o que Hideno havia feito e entendeu que, agora, pronta a decidir sua própria vida, ela podia suportar a dor que, quando menina, a teria destruído.
Quando marcou o casamento, Kimi colocou a caixa em seu enxoval, sabendo que sua mãe estaria sempre com ela.

Publicado por Débora Denadai em 18/07/2005 às 18h28
 
04/06/2005 13h26
SAUDADES ANDINAS
Terei que escrever aqui na linguagem dos messengers e chats, já que naum há jeito de encontrar nestes teclados en español alguns acentos. Mas vaum me entender, por supuesto.
É certo que naum estou aqui vendo esta imagem maravilhosa da foto. Mas foi um instante belíssimo enquanto caminhava por uma avenida aqui do centro de Santiago, enxergar por detrás de um prédio alto o pico nevado da montanha. Tive que parar no meio da rua e, como se dice aca, quedarme para mirarlo...
Lindo, imponente e nos dá a medida exata da grandeza da criacao. Mesmo sem o cedilha, a criacao é a criacao. É lindo estar aqui, ver estas coisas tao diferentes e que nos fazem pensar. Mas segue dentro crescendo, como disse na minha poesia (No me toca) o coracao amarelado pela saudade.
Saudade da minha terra, do meu filho, do meu amor. Saudade boa de quem tem do que ter saudade. Saudade que se permite doer, mas nao tira o gosto das coisas boas que vao sendo experimentadas.
Saudade que nao nos tira o CARPE DIEM, momento a momento.
besos para voces todos e um beliscao na bunda para nao romper a tradicao
débora

Publicado por Débora Denadai em 04/06/2005 às 13h26
 
27/05/2005 22h36
HOJE EU TO ESPINHADA...
Se você ainda não cruzou na sua vida com um homem-cacto (tem a variante feminina também.Calma, garotos) não sabe o que está perdendo.
Esta espécie nada rara, prolifera feito baratas por todo lado. Assim, já começa a primeira vantagem: como tem por todo lado, não precisa esforço pra encontrar. Esta coisa atravessa o seu caminho quando menos você espera.
O problema é que no mais das vezes, o tipo cacto se apresenta apenas com a parte mais bonita: as flores.Todo mundo sabe que flor de cacto é uma beleza. Só que, como esta flor, não fede, nem cheira.
Em compensação,sabe espetar que é uma beleza.
O pior de tudo é que este tipo de criatura, uma vez que passou pelos seus canteiros, dificilmente você consegue erradicar. Sempre deixa um espinhozinho pra trás e quando se pensa que não, fura pra cacete.
Eu tive uma espécie destas. E a coisa não desaparece nem a pau. Tá sempre me espetando. Espetou hoje de novo. A única possibilidade de vingança é mandar o cara pegar o espinho e enfiar direitinho você sabe onde. O problema é que podem até gostar.
beijos carinhosos e nenhum cacto na bunda. Só o beliscão de sempre.
bjos
d

Publicado por Débora Denadai em 27/05/2005 às 22h36



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