DÉBORA DENADAI EM PROSA E VERSO

FAZER POESIA É LAVAR A ALMA FAZENDO SANGRIA...

Meu Diário
18/07/2005 18h28
SÓ QUANDO A GENTE VAI FICANDO VELHA SABE COMO É BOM TER PAI E MÃE
ONTEM ME BATEU UMA BAITA VONTADE DE COLO DE MÃE, COM A COMIDINHA DA MINHA MÃE E AS BRONCAS QUE EU IA LEVAR POR NÃO COMER DIREITO, FICAR FUMANDO E TUDO O MAIS. E DA CARA DE BRAVO DO MEU PAI, CONCORDANDO COM CADA PALAVRA DA MINHA VELHA. ESCREVI UMA CARTA PARA ELA, QUE ESTÁ AÍ NO SITE E AÍ VAI UMA HISTÓRIA JAPONESA MUITO LINDA QUE ENCONTREI.
BJOS A TODOS E UM BELISCÃO NA BUNDA
D


Viviam numa pequena aldeia, onde reinavam as flores e as belezas, Hideno e sua filha Kimi. Uma vivia para a outra e entre elas não havia segredos, sobretudo, porque ambas pareciam mais irmãs gêmeas de tão iguais que eram. Kimi era a miniatura de Hideno e Hideno, o futuro de Kimi.
Apesar de sozinhas, mãe e filha transcorriam os dias na felicidade e na paz, partilhando a intimidade e a rotina de um lar simples, mas tão harmonioso como o suceder das estações e dos dias.
Tudo andava bem até que, num tristonho dia de inverno, Hideno viu-se acometida por uma estranha doença que parecia não ter causa nem cura. Pressentiu a mãe que aquele mal iria afastá-la de sua amada filha para sempre.
Angustiava-se Hideno mais pela dor que causaria sua morte na filha do que pela própria dor que lhe consumia as estranhas. Assim, pensando no que seria de Kimi, pediu a seu coração que lhe desse sabedoria para poder consolar sua filha.
Assim, numa tarde de vento, chamou Kimi e entregou-lhe uma caixa: não era grande nem pequena, mas da medida certa para a menina segurá-la com segurança.
E, com os olhos doces e dolorosos, recomendou que a abrisse somente depois que ela partisse para o reino distante ao qual todos se encaminham sem reservas e sem saber quando.
E que a abrisse todas as vezes que quisesse conversar com a mãe, para contar-lhe seus segredos, suas alegrias e tristezas, como sempre fizera.
Poucos dias depois, Hideno partiu. Instalou-se a tristeza no coração da pequena Kimi. Mas ela se lembrou de que podia falar com sua mãe e buscou a caixa. Ao abri-la, encontrou o rosto de Hideno que também chorava. E ela se consolou.
Passaram-se os anos e Kimi sempre conversava com sua mãe, todas as vezes que abria a preciosa caixa, encontrando sempre a mesma identidade de sentimentos. Chegou, porém, o dia em que seu avô decidiu que ela já era uma moça e que deveria se casar. Chamou-a com todo carinho e revelou que conhecia um rapaz digno e bom que poderia ser seu marido, que a faria feliz.
Kimi correu para a caixa e contou a novidade para sua mãe. Hideno, assim como a filha, sorria de felicidade. E foi naquele momento que Kimi percebeu que sua mãe não estava na caixa, mas que no fundo desta só havia um espelho. Com emoção, percebeu o que Hideno havia feito e entendeu que, agora, pronta a decidir sua própria vida, ela podia suportar a dor que, quando menina, a teria destruído.
Quando marcou o casamento, Kimi colocou a caixa em seu enxoval, sabendo que sua mãe estaria sempre com ela.

Publicado por Débora Denadai em 18/07/2005 às 18h28

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